sábado, 28 de março de 2009

O Mercado Voluntário de Carbono

Em Dezembro de 2004, o HSBC, um dos maiores bancos mundiais, surpreendeu os seus stakeholders ao anunciar que tinha decidido tornar as suas operações neutras de carbono (Press Release HSBC, 2004).

A surpresa deveu-se não tanto ao facto do Banco ter assumido formalmente levar a sério a questão das alterações climáticas mas sim que iria despender – de forma totalmente voluntária - milhões de dólares durante os próximos 10 anos para minimizar o impacto da organização relativamente ao problema.

Para implementar a iniciativa, o HSBC anunciou ao mercado um open tender para investir em projectos de energias renováveis e, desta forma, neutralizar as suas emissões, superiores a 500 mil toneladas de CO2/ ano. Mais de 100 projectos de redução de emissões responderam ao desafio e cerca de 15 foram seleccionadas com base na dimensão, tecnologia, localização e benefícios sociais associados.

No final do primeiro trimestre neutro de carbono o banco tinha gerado créditos de carbono no valor de $1 milhão na Alemanha, Índia, Austrália e Nova Zelândia, mas a iniciativa revelou-se bastante complexa e de difícil aprendizagem. Francis Sullivan (Environment Adviser, HSBC) concluiu: ”We need a better way of finding what we want in the market”.

A iniciativa do HSBC e a afirmação de Sullivan revelam ainda hoje as oportunidades e os desafios do Mercado Voluntário de Carbono ou Mercado de offset. As empresas que compram ou vendem créditos de carbono operam num mercado fragmentado, com uma complexa cadeia de valor e onde os mecanismos de compliance estão longe de ser aceites por todos os participantes.

No entanto, existem hoje sinais de que o mercado começa a evoluir para uma fase mais madura por via de i) aceitação generalizada de mecanismos autoregulatórios, críticos em qualquer mercado (ex. Gold Standards) e ii) identificação de modelos de negócio capazes de responder com sucesso à procura de mercado.

Desta forma, é possível inferir algumas conclusões acerca do mercado voluntário de emissões, nomeadamente as fases da cadeia de valor que suportam uma oferta de sucesso (ver figura I):



O mercado voluntário de emissões continuará a ser marginal em termos de actividade económica durante os próximos anos. Felizmente, o aparecimento de entidades certificadoras, de standards de valorimetria aceites de forma mais ou menos generalizada e de um maior número de intermediários irão permitir consolidar a informação de mercado, tornando mais fácil e transparente o processo de compra das entidades que desejam anular as suas emissões.

TF

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